"A vida não é medida pelo número de vezes que se respira, mas pelos momentos em que se perde o fôlego."

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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2013

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Ainda não o digeri, não entendi nem tomei noção.

Estes dias passaram à velocidade da luz e parece que ainda estou a pairar num qualquer limiar entre o cá e o lá. 

Duas semanas entre médicos e exames foi o tempo necessário para lhe diagnosticarem cancro. Em fase 3 já com metasteses. Vai começar com a quimio antes de ser operado.

O prognóstico não é animador e apenas ele e a minha avó permanecem na ignorância da gravidade...é o melhor eu sei e digo-lhes sempre que tudo vai correr bem.

É o meu avô, vai ser sempre e por algum motivo que me é alheio recuso aceitar que é real. Apesar dos avanços todos os dias e do meu sistema nervoso ir dando sinal fazendo-me doer o corpo eu não aceito. Nem tenho de aceitar nada perante o cabrão que numa ceifada galopante me quer roubar o avô.  

publicado por mac às 21:24

Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012

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Noite e dia a deitar as entranhas de fora com a sensação de ter sido atropelada por uma retroescavadora daquelas amarelas.

Cair na cama para turno de 11 horas seguidas para acordar como nova.

Às vezes ponho-me a pensar no dinheiro que gastaria em SPA's se dormir não me fizesse tão bem...

 

publicado por mac às 22:00

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

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Porque não há nomes suficientes para insultar o cancro. Estaria aqui três dias e meio e não diria nem metade do que deve ser dito a esse cabrão.

Não era nada aquela senhora mas convivi com ela desde sempre. Fui acompanhando de intermeio os anos de sofrimento atroz que julgo muito poucos conseguirem suportar. Era uma mulher de armas e acho que só tomei mesmo noção do fim ao ouvir cada pazada de terra que caia sobre o caixão e fazia um ruído que me fazia estremecer. Doeu-me o sofrimento que via naquelas caras ao vê-la ir-se. Anos de luta feroz sepultados ali debaixo daquele sol abrasador.

A vida é assim diziam. E eu sei que é. Mas isso não amaina o que se passou e o que ainda está para se passar com os que cá ficam.  

 

publicado por mac às 18:48

Domingo, 20 de Maio de 2012

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Já não consegue falar, geme de dor. Agita-se sem parar e as pernas outrora tão fortes saem-lhe agora por entre os lençois numa pele e osso difícil de acreditar.

Aquele saco preto pendurado sobre a cama ligado às veias por um fio. Morfina que lhe entra no corpo e parece não amenizar a dor de quem naquela cama de hospital agoniza de tanta dor.

Fecho o punho com toda a força ignorando as unhas que se me cravam na carne da palma da mão, numa tentativa de conter as lágrimas que me recuso a largar. Não ali.

O cancro é um c@#$&. Não se contenta em nos roubar as pessoas, tem gozo em ver-nos sofrer a ver quem amamos definhar de dia para dia como se fosse a coisa mais natural do mundo.

 

publicado por mac às 23:05